“Desde que nos tornamos avós, a nossa felicidade dobrou! ”

Amor, cuidado e carinho transmitidos de geração em geração. O papel dos avós na família vai muito além dos mimos dados aos netos e, muitas vezes, são o suporte afetivo de pais e filhos. Por isso, o Dia dos Avós, comemorado no dia 26 de julho, é mais que uma data comercial. Ela tem um significado especial para as famílias do mundo inteiro.

Mas, para algumas pessoas, a data parece ser comemorada diariamente. É o caso da família de dona Alice Salvati Tecchio e seu Honorino Tecchio. Os três filhos do casal: Henrique, Elise e Mirian, moram em Bento Gonçalves, na mesma cidade que os pais, onde vivem com suas próprias famílias.

Embora residam em casas diferentes, o vínculo criado entre os avós e os netos supera qualquer distância. Durante a semana, os gêmeos Rafael e Vicente (3), jantam na casa dos avós, enquanto que a prima Fernanda (7) almoça com dona Alice e seu Honorino todos os dias. Já os netos Izadora (1) e Enzo (10), veem os avós nos finais de semana.

 Sempre que recebe a visita dos pequenos, a avó capricha na culinária para agradá-los. 

“O que eles mais gostam que eu faço é a sopinha de legumes! Hmm… adoram! Faço sopa de feijão, polenta, purê de batata… eles amam, amam, amam!”, comenta faceira dona Alice.

Seu talento na cozinha não passa despercebido. Para Enzo, a avó é vista como uma mestra quando o assunto é comida. 

“Se tivesse um Master Chef pra vó eu inscreveria ela. Ela ia ganhar fácil! Na comida não tem ninguém igual à vó! Se for competição, ela deixa os outros comendo poeira!”.

Já seu Honorino é o grande companheiro de brincadeiras e passeios dos netos. Junto com ele, os pequenos se divertem fazendo descobertas e criando novos brinquedos.

“O vô gosta bastante de pescar, então, quando eu peço pra ele ir lá no lago com a gente ele sempre vai junto. A gente também faz bastante invenções na garagem, porque lá tem as ferramentas dele pra fazer os brinquedos de madeira, que ele sempre faz com a gente”, fala Enzo. 

– “Lembra que um dia a gente fez um barquinho de papelão, Enzo?”, ressalta a prima Fernanda.

– “Sim, quando é pra brincadeira o vô é ótimo!”, responde ele. 

Da mesma forma que o carinho dos netos é visto em depoimentos como estes, a gratidão do vovô Honorino também é declarada abertamente.

– “Os netos significam uma alegria imensa e, ao mesmo tempo, uma tranquilidade, porque a gente se distrai e fica faceiro brincando com eles. A gente passa juntos diversos dias da semana. Todos os dias tem um. A nossa casa nunca fica vazia! ”.

– “Quando não tem um, tem o outro, tem dois, ou três… No fim de semana junta todos. Desde que nós nos tornamos avós, a nossa felicidade dobrou! Neto é uma bênção de Deus!”, complementa a vovó Alice, com os olhos cheios de lágrima.

O vô ainda tem a incumbência de levar as crianças para os compromissos diários, como na aula de inglês, de futebol, e assim vai. É o motorista oficial dos netos. 

“É sempre o vovô que tem que acompanhar eles, porque agora ele tem tempo pra fazer isso”, diz dona Alice. 

“E se não tem tempo, também, a gente dá um jeito, né!” fala seu Honorino, aos risos.

No pátio da casa dos avós, também fica outro grande atrativo para as crianças. Um brinquedo que marcou a infância de duas gerações: a casinha do Tarzan, construída pelas mãos de seu Honorino. A casinha na árvore feita por ele, há mais de trinta anos, com gangorra, escorregador e balanço, no passado, era fonte de diversão para os três filhos e, hoje, faz a alegria de seus netos. 

               

Uma troca de benefícios mútuos

De acordo com a psicóloga Franciele Sassi, a interação entre pessoas de diferentes gerações, como ocorre entre avós e netos, é vista de forma bastante positiva, uma vez que ambos se beneficiam com essa proximidade, numa espécie de troca intergeracional. 

 “As diferentes gerações permitem o transitar por diferentes épocas, costumes, conhecimentos e habilidades, e isto assegura a continuidade da vida mesmo diante de suas transformações. É na relação entre as partes que se torna possível reafirmar os começos e as metamorfoses da vida, sem perder a essência da história”, explica.

 Para a psicóloga, tal convívio pode, até mesmo, influenciar na vida adulta das pessoas, já que os aprendizados e as trocas servirão como referência no futuro. 

“Enquanto os avós têm contato com a nova geração, recheada de mudanças quanto ao desenvolvimento interno e externo, o que oportuniza com que se adequem e reavaliem ideais e conceitos sobre a atualidade, os netos têm a possibilidade de conhecer toda uma história através da experiência e sabedoria dos seus antepassados, possibilitando reflexões que os acompanhará ao longo da vida adulta, contribuindo para a construção da sua identidade enquanto ser no mundo”, afirma. 

Prova dos benefícios existentes nessa relação entre avós e netos são as recordações que o empresário Henrique Tecchio traz na memória e no coração sobre o convívio que teve com os avós, quando era criança. 

“Lembro-me do nono por parte de pai, o Arcângelo Gabriele Tecchio, que, já no nome dizia muito sobre a pessoa que ele era: uma pessoa serena, calma, de poucas palavras, e todo o meu contato com ele foi de ensinamentos. Seguidamente, nós sentávamos embaixo de um plátano, na frente da casa dele, quando eu era pequeno. Ele sempre conversava comigo em italiano, porque não falava português, e esse foi um dos legados que ele deixou pra mim. Todas as vezes que eu fui pra Itália, levei comigo essa cultura que ele me passou, do sangue italiano, da língua, e da forma de pensar também”, recorda. 

Por outro lado, a relação que tinha com a avó materna lembra muito o tratamento que sua mãe, dona Alice Tecchio, tem hoje com os seus filhos Izadora e Enzo. Principalmente, quando se refere à comida. 

“A vó materna, foi a pessoa com quem a gente mais conviveu. Sempre foi uma pessoa solícita, preocupada, que queria agradar os outros de todas as formas. A casa da vó sempre era o nosso refúgio, porque como nós morávamos longe do centro, muitas vezes dormíamos lá. Então, o que me marca muito é a forma como ela tratava a gente, o carinho e o cuidado que ela sempre teve. A preocupação em deixar a cama arrumadinha, o travesseiro macio. E, eu adorava ir na casa dela, porque ela sempre fazia a comida especialmente pra mim, o que eu mais gostava de comer”, ressalta. 

Diferenças no cuidado entre as gerações

Em períodos mais distantes, a falta de tempo era o maior motivo que impedia os pais de passarem momentos maiores junto com os filhos, e os avós com seus netos. Hoje, os avanços tecnológicos e a melhoria nas condições de trabalho geram facilidades no dia-a-dia das famílias. Fatores que contribuem para a melhoria na dedicação dos avós com os próprios netos. 

“Não sei, mas eu acho que nós cuidamos mais dos netos do que dos filhos, porque naquela época não se cuidava tanto assim. Eu acho sabe por quê? Porque, não se tinha tanto tempo, também, pra ficar com eles”, fala seu Honorino.

A mesma sensação tem a filha Mirian, que avalia de forma bastante positiva a dedicação e o carinho dos pais com os seus filhos gêmeos, Rafael e Vicente.

“Na verdade, hoje, eu vejo uma dedicação maior dos avós, uma predisposição maior em ficar com os netos. Na nossa época, a gente só visitava os nossos avós no final de semana, enquanto que os meus filhos, por exemplo, veem os avós durante toda a semana. Tanto os meus pais, como os pais do meu marido. Então, eles têm um vínculo bem forte, mesmo! ”.

Além de dedicar grande parte do tempo para ficar com os netos, a forma com que seu Honorino lida com os pequenos também é diferente da época em que os seus filhos eram crianças. 

“A gente passeia e brinca com eles, e com os nossos filhos não se tinha isso. E não se dava a mesma liberdade que se dá pros netos, hoje. A gente deixa eles à vontade, eles fazem bagunça também”, comenta sorrindo. 

Ponto de vista semelhante também é compartilhado por Mirian, que nota o quanto saudável é o convívio entre seus filhos e os seus pais.

“Os nossos avós eram bem mais conservadores até com relação aos tipos de brincadeiras que se fazia na época. De não deixarem a gente abusar da casa deles, fazer bagunça. Então, era mais restrito, não tinha toda essa liberdade. Por isso, quando os gêmeos entram no carro e a gente fala ‘vamos pra casa da vovó? ’ Eles não querem mais nem voltar pra nossa casa depois, de tanto que adoram ir lá! ”. 

Já para Henrique Tecchio, a maior diferença que existe de sua época para agora, no relacionamento entre gerações distintas, é pura e simplesmente o avanço da tecnologia. 

“Porque o carinho, o zelo, o cuidado e o amor que eu tive, tenho certeza que os meus filhos vão receber também. Eu sei disso, porque eu vejo o quanto os meus pais fazem e vão fazer por eles, sempre. A gente vê a alegria de quando eles recebem o abraço dessas crianças. E, que bom que a gente tem a oportunidade de recordar essas lembranças magníficas, que me marcaram muito, e que, com certeza, vão marcar bastante ali na frente, os meus filhos” conclui emocionado. 

 

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