Poesia dos Pampas na Estância Guatambu

O vento anavalhado é de cortar a face e a vista se perde ao longe nas pastagens da Campanha Gaúcha. É só a linha no horizonte que corta os Pampas, dividindo tudo o que é terreno daquilo que está no azul firmamento. A lenha queimando cheirava longe quando atravessei os portões imponentes da Estância Guatambu. A prosa das videiras gaudérias soa diferente da nossa habitual poesia na Serra Gaúcha. É isso que torna tão fascinante o mundo do vinho: o terroir e as narrativas.

A fama da Guatambu chegou longe e não somente pelos vinhos que produz. A vinícola imponente é única na América Latina movida totalmente à energia renovável. São 600 painéis solares. Com projeto arquitetônico a serviço de uma produção de excelência, a enorme estância em estilo colonial espanhol favorece as etapas de vinificação, com processos conduzidos por gravidade.

Uma visita à vinícola começa com as devidas introduções à história do lugar e passa pelas áreas de processamento e vinificação, além da encantadora sala de aromas. A produção de viníferas é um negócio relativamente novo nessas terras, tendo começado há 15 anos, mas a família tem tradição de gerações na agropecuária, primeiro com o cultivo de arroz irrigado. Depois, com pecuária das raças Hereford e Braford. Os vinhedos ficam numa área vizinha a 260 metros acima do nível do mar, num terreno pedregoso que retém água e reflete o sol. Além do próprio solo, o clima seco e a alta incidência solar resultam numa uva com alto grau de açúcar. A produção é em pequena escala, somente com uvas próprias, lotes limitados e garrafas numeradas.

A Estância Guatambu abriu oficialmente há cinco anos. Pra quem vai até Dom Pedrito conhecer a vinícola, é veementemente indicado ficar para um almoço harmonizado. O encontro dos vinhos Guatambu com a parrilla dos pampas é uma genuína experiência gastronômica. Nesse dia em que estive na Guatambu, o patriarca Valter Pötter, em pessoa, lidava com os assados na brasa, cortando e despachando aos visitantes. A carne servida é, também, produção da família.

Se algum dia passou pela sua cabeça a ideia de um fim de semana junto aos vinhos do Pampa, eu só vos digo que vá – tão breve quanto possa!

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