Trajetória de Aristides Bertuol ganha livro que resgata história do automobilismo

Biografia, focada no tempo em que o piloto obteve destaque nas corridas de carretera, começa a ser escrita, com lançamento previsto para outubro de 2016, quando ele completaria 100 anos

A memória de uma das principais personalidades do município de Bento Gonçalves (RS) ganha registro nas páginas de uma biografia que retrata, também, a história do automobilismo brasileiro. O livro ‘Aristides Bertuol – o piloto da carretera nº 4’ conta sua trajetória pessoal e presta tributo às conquistas por ele acumuladas durante anos de paixão pela velocidade e competição nas pistas.
Apresentado ao público no dia 15 de junho de 2015, o projeto da obra prevê a documentação de algumas das mais significativas passagens que ajudam a contar a vida do piloto e o tempo das corridas de automóveis em circuitos, autódromos e estradas do Brasil. Sob a coordenação editorial do jornalista e fotógrafo Fabiano Mazzotti, o livro terá textos do também jornalista Guilherme Arruda e promete, em 200 páginas, retratar o perfil de Bertuol como empresário e político, além de detalhar o cenário do automobilismo de competição nos anos áureos das corridas de carretera.
Esse regaste será construído a partir da combinação entre entrevistas às pessoas que conheceram e vibraram com Bertuol, pilotando a sua carretera, e um acervo fotográfico mantido pela família. Relatos do mecânico acompanhante, Ernani Herrera; bem como lembranças dos jornalistas que escreviam matérias com a cobertura das corridas para diferentes meios de comunicação, serão transformadas em histórias emocionantes a serem impressas nas páginas do livro. Os admiradores de Bertuol poderão conhecer, ainda, fatos curiosos e que estão vivos na memória dos testemunhos daquele período. Aqueles que tiveram contato com o piloto são convidados a relatar momentos da vida do competidor, que contribuiu para elevar o nome de Bento Gonçalves no Brasil, por meio das vitórias marcantes nas corridas de estrada de chão na década de 1940 e 1950.
O lançamento do livro ‘Aristides Bertuol – o piloto da carretera nº 4’ está previsto para outubro de 2016, data de seu centenário. O projeto tem a aprovação do Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet.

Reconhecimento à trajetória
Durante o tempo que o Aristides Bertuol esteve à frente de um volante para competir, participou de 54 corridas. Em 27 vezes esteve no pódio. Foram 14 vitórias, sete segundos lugares e seis terceiros. Sua estreia nas pistas ocorreu em 26 de setembro de 1948, na Copa Rio Grande do Sul. A primeira vitória veio rapidamente: já na sua segunda disputa, em março de 1949, venceu o IV Grande Prêmio Cidade de São Paulo, uma prova de autódromo, em Interlagos.
O primeiro carro de corridas do homem que estava se transformando em piloto foi o próprio veículo de passeio, um Chevrolet Fleetline 1948, também conhecido como Sedanete. No entanto, foi com a carretera número 4 que Bertuol fez história. Um Chevrolet Coupe 1939 foi a máquina de vencer do piloto. Com esse carro e muito talento, Bertuol conquistou aquelas que são as principais glórias do automobilismo brasileiro na era das carreteras. Ganhou diferentes provas no autódromo de Interlagos, em São Paulo. Venceu uma edição das Mil Milhas Brasileiras. Levantou taças de campeão gaúcho e estabeleceu recordes, como a vitória na etapa Rio de Janeiro/São Paulo na II Grande Prova Automobilística Getúlio Vargas. Com vitórias, simpatia, seriedade e amizade, Bertuol ganhou apelidos ao longo da carreira que refletem o sucesso como piloto. “Intrepidante Aristides Bertuol” e “O ás do volante” são algumas das expressões utilizadas para se referir à habilidade do competidor.
Além de vitórias, a carreira de Bertuol também é marcada por acidentes incríveis – numa época em que a tecnologia dos veículos e os cuidados com segurança eram muito diferentes dos dias atuais. Em dezembro de 1949, foi a São Paulo para participar do Grande Prêmio Washington Luiz, uma prova de estrada em três etapas entre São Paulo/Ribeirão Preto/Sorocaba. Porém, abandonou a competição após cair de uma ponte e parar dentro do rio. Em dezembro de 1952, no XII Grande Prêmio Cidade do Rio de Janeiro, numa corrida de monoposto no Circuito da Gávea, derrapou nos trilhos do bonde, saiu da pista, bateu num carro que também havia saído da pista e atingiu três pessoas que assistiam a prova.
Momentos marcantes, como esses, traçam o perfil de um homem cujo nome está eternizado em rodovias, estádio de futebol e de pista de kart, além de ser, hoje, sinônimo da mais alta condecoração outorgada em Bento Gonçalves – a ‘Medalha Aristides Bertuol’. “Nossa família tem muito orgulho do legado que acompanha essa história. É com grande carinho que recordamos cada uma de suas passagens e, principalmente, compartilhamos com a comunidade o exemplo dessas memórias geração após geração”, conta o filho Carlos Bertuol.
Falecido em 1979, vítima de câncer, Aristides Bertuol permanece vivo na memória dos fãs do esporte e daqueles que o acompanharam. Ao contar sua trajetória, o livro é oportunidade de reencontrá-lo em cada passagem de uma história que marcou época no Brasil na era de ouro do automobilismo brasileiro.

‘Aristides Bertuol – o piloto da carretera nº 4’ | equipe de trabalho:
FABIANO MAZZOTTI: proponente do projeto e coordenador editorial.
GUILHERME ARRUDA: jornalista autor dos textos.
VIVIANE SOMACAL: coordenação de produção.
LENISE MIORANDO (Triângulo da Produção Cultural): produção executiva.
JAQUELINE BENVENUTTI: historiadora.
FABIANO MASSUTTI: planejamento gráfico.
ERNANI COUSANDIER: ilustrador.
MARLI TASCA MARANGONI: revisão de textos.
EUNICE PIGOZZO: bibliotecária responsável.
CARLOS BERTUOL: revisão final.

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